quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O que é xamanismo?


O que é xamanismo?

Não é uma religião

(Tom Ventre/Mundo Estranho)
Pergunta do leitor Robson Vilanova Ilha, São Sepé, RS
Edição Felipe van Deursen
É uma prática ancestral que busca estabelecer uma ligação com o sagrado. Não é uma religião, pois não há livros canônicos nem uma mitologia específica. O xamanismo é, na verdade, um conjunto de rituais muito antigos, como danças e músicas que atravessam séculos, uso de substâncias psicoativas encontradas em ervas e palavras usadas para evocar espíritos aliados.
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Isso remonta aos primórdios da humanidade, quando não havia distinção entre religião e ciência. Vários povos, cada um à sua maneira, buscavam em elementos da natureza uma conexão com algo superior. Por isso mesmo, não dá para cravar uma época nem local de origem. A palavra “xamã” vem de “saman”, termo usado pelos tungues, povo do nordeste da Sibéria, para se referirem “àquele que conhece”.
Da Coreia ao Peru
Povos xamânicos se espalham pelo mundo todo. Veja o que eles têm em comum
Substâncias psicoativasPara expandir a consciência, muitos grupos bebem, mastigam ou fumam ervas psicotrópicas. Na Sibéria, toma-se chá do cogumelo Amanita muscaria durante o solstício de inverno. No Brasil, a bebida mais conhecida veio do vizinho Peru. Feita da mistura do cipó-mariri com o arbusto chacrona, a ayahuasca serve a adeptos do Santo Daime e a tribos como os caxinauás
Rituais de dança e músicaNa província de Hwanghae, na Coreia do Norte, há a tradição da geosangchum, dança de oferenda aos deuses ao som de tambores, flautas e cítaras. No Brasil, sobretudo no Nordeste, tribos como os cariris-coxós e os potiguares mantêm o ritual do toré para se ligar aos “encantados”. Ao som de maracas, trombetas e vozes em coro, as pessoas formam um imenso círculo que gira em torno do centro
Defumação e incensoRituais de purificação e limpeza geralmente envolvem defumação – de um local ou de uma pessoa – e queima de incenso e de ervas. Grupos xamânicos da África do Sul, de Moçambique e do Zimbábue “banham-se” nas fumaças de Helichrysum petiolare. Já em algumas regiões do Canadá, há povos que queimam cedro enquanto oram pelo “grande espírito”
Ervas que curamO combate a doenças por meio de “plantas de poder” é outra tradição. Na Índia, grupos maceram folhas de manjericão-branco e as colocam sobre as articulações para ajudar no tratamento de dores nas juntas. Já a nação cheroqui, da América do Norte, usa mifelólio em cortes para estancar o sangramento
Dá para misturar com religião?
Segundo especialistas, essa prática seria uma espécie de pré-religião
O xamanismo é a “mãe de todas as nações”, acredita Cyro Leão, representante deste tema no Fórum Inter-Religioso para uma Cultura de Paz e Liberdade de Crença, da Secretaria Estadual de Justiça de São Paulo. O motivo é simples: ele antecede todas as doutrinas criadas pelos humanos. Por isso, há vestígios de práticas xamânicas em diversos credos: a defumação nas cerimônias católicas, o banho de ervas no candomblé, o passe no espiritismo, a meditação no budismo…
Com influência mais ou menos notória, esses ritos têm sua raiz no xamanismo. “Tenho uma aluna que, sem mencionar que se tratava de uma prática xamânica, levou para um centro comunitário de uma igreja católica a meditação com tambor”, lembra Cyro. “Pode-se dizer que as religiões representam um xamanismo adaptado”, concorda Léo Artese, xamã e estudioso com diversos livros publicados sobre o te
FONTES Livros O Xamanismo e as Técnicas Arcaicas do Êxtase, de Mircea Eliade, An Encyclopedia of Shamanism, Volume One, de Christina Pratt, e The Anthropology of Health and Healing, de Mari Womack
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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

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Israel disposto a intervir na Síria para proteger comunidade drusa


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Israel disposto a intervir na Síria para proteger comunidade drusa

03 nov, 2017 - 12:28
Os drusos são tradicionalmente bem-vistos por Israel e têm feito pressão para que se auxilie os seus correligionários do lado sírio da fronteira, nos Montes Golã.
Israel anunciou esta sexta-feira que está disposto a intervir militarmente na Síria para proteger uma vila da comunidade drusa, perto da fronteira.
A vila de Hader situa-se numa zona de conflito entre forças governamentais e diferentes facções da oposição, de influência extremista islâmica. Embora a zona esteja formalmente ocupada por militares sírios e seus aliados, a Frente al-Nusra anunciou recentemente uma campanha para “libertar” as vilas sob domínio do regime nos Montes Golã. Os habitantes, que são na esmagadora maioria drusos, tendem a apoiar o regime sírio.
O aviso de Israel surge dias depois de um carro armadilhado ter feito, pelo menos, nove mortos em Hader.
Esta tomada de posição israelita vem demonstrar a complexidade das relações entre as diferentes facções e os vários países no conflito sírio.
Embora tenha intervido pontualmente com ataques aéreos na Síria ao longo dos últimos anos, Israel tem-se mantido essencialmente como observador da guerra civil. Oficialmente o estado judaico e o Governo da Síria estão ainda em guerra, e Israel ocupa grande parte dos Montes Golã, que pertenciam à Síria, desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
À inimizade que tradicionalmente existe entre os governos de Síria e de Israel vem juntar-se o facto de Bashar al-Assad contar com o apoio militar do Irão – cujo regime já ameaçou varrer Israel do mapa – e da milícia libanesa Hezbollah, contra a qual Israel travou uma guerra em 2006.
Naturalmente também não existe empatia entre Israel e as milícias islamitas que actuam do lado sírio da fronteira, embora tenha havido diversas acusações de colaboração entre as forças armadas de Israel e estas ao longo dos últimos anos. Certo é que Israel já acudiu a feridos do lado Sírio da fronteira, transportando-os para Israel para serem tratados. Em pelo menos duas ocasiões drusos no estado judaico atacaram essas ambulâncias, matando pelo menos um dos jihadistas que estava a ser transportado. Israel reconhece a assistência médica, que justifica com bases humanitárias, mas diz que as acusações de colaboração militar não têm qualquer fundamento.
Mas a disponibilidade de Israel defender a aldeia de Hader em particular deve-se ao factor religioso. Os drusos praticam uma religião própria e esotérica, com algumas influências islâmicas. São uma comunidade fechada, com fama guerreira, e tendem a ser leais aos regimes dos países em que se encontram. Israel não é excepção e os drusos participam activamente nas forças armadas daquele país, sendo tradicionalmente bem-vistos pelo Governo e pela população como cidadãos leais.
Sendo um grupo étnico tão fechado, os drusos de Israel são parentes dos sírios e tem havido muita pressão por parte da comunidade israelita para defender os seus irmãos em Hader.
O comunicado das Forças Armadas israelitas não deixa dúvidas, aliás, quanto à sua motivação. “As Forças de Defesa de Israel estão preparadas para auxiliar os residentes e evitar os danos ou a captura da aldeia de Hader, por compromisso com a população drusa”, lê-se.
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Israel disposto a intervir na Síria para proteger comunidade drusa

03 nov, 2017 - 12:28
Os drusos são tradicionalmente bem-vistos por Israel e têm feito pressão para que se auxilie os seus correligionários do lado sírio da fronteira, nos Montes Golã.
Israel anunciou esta sexta-feira que está disposto a intervir militarmente na Síria para proteger uma vila da comunidade drusa, perto da fronteira.
A vila de Hader situa-se numa zona de conflito entre forças governamentais e diferentes facções da oposição, de influência extremista islâmica. Embora a zona esteja formalmente ocupada por militares sírios e seus aliados, a Frente al-Nusra anunciou recentemente uma campanha para “libertar” as vilas sob domínio do regime nos Montes Golã. Os habitantes, que são na esmagadora maioria drusos, tendem a apoiar o regime sírio.
O aviso de Israel surge dias depois de um carro armadilhado ter feito, pelo menos, nove mortos em Hader.
Esta tomada de posição israelita vem demonstrar a complexidade das relações entre as diferentes facções e os vários países no conflito sírio.
Embora tenha intervido pontualmente com ataques aéreos na Síria ao longo dos últimos anos, Israel tem-se mantido essencialmente como observador da guerra civil. Oficialmente o estado judaico e o Governo da Síria estão ainda em guerra, e Israel ocupa grande parte dos Montes Golã, que pertenciam à Síria, desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
À inimizade que tradicionalmente existe entre os governos de Síria e de Israel vem juntar-se o facto de Bashar al-Assad contar com o apoio militar do Irão – cujo regime já ameaçou varrer Israel do mapa – e da milícia libanesa Hezbollah, contra a qual Israel travou uma guerra em 2006.
Naturalmente também não existe empatia entre Israel e as milícias islamitas que actuam do lado sírio da fronteira, embora tenha havido diversas acusações de colaboração entre as forças armadas de Israel e estas ao longo dos últimos anos. Certo é que Israel já acudiu a feridos do lado Sírio da fronteira, transportando-os para Israel para serem tratados. Em pelo menos duas ocasiões drusos no estado judaico atacaram essas ambulâncias, matando pelo menos um dos jihadistas que estava a ser transportado. Israel reconhece a assistência médica, que justifica com bases humanitárias, mas diz que as acusações de colaboração militar não têm qualquer fundamento.
Mas a disponibilidade de Israel defender a aldeia de Hader em particular deve-se ao factor religioso. Os drusos praticam uma religião própria e esotérica, com algumas influências islâmicas. São uma comunidade fechada, com fama guerreira, e tendem a ser leais aos regimes dos países em que se encontram. Israel não é excepção e os drusos participam activamente nas forças armadas daquele país, sendo tradicionalmente bem-vistos pelo Governo e pela população como cidadãos leais.
Sendo um grupo étnico tão fechado, os drusos de Israel são parentes dos sírios e tem havido muita pressão por parte da comunidade israelita para defender os seus irmãos em Hader.
O comunicado das Forças Armadas israelitas não deixa dúvidas, aliás, quanto à sua motivação. “As Forças de Defesa de Israel estão preparadas para auxiliar os residentes e evitar os danos ou a captura da aldeia de Hader, por compromisso com a população drusa”, lê-se.
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Os drusos são tradicionalmente bem-vistos por Israel e têm feito pressão para que se auxilie os seus correligionários do lado sírio da fronteira, nos Montes Golã.
Israel anunciou esta sexta-feira que está disposto a intervir militarmente na Síria para proteger uma vila da comunidade drusa, perto da fronteira.
A vila de Hader situa-se numa zona de conflito entre forças governamentais e diferentes facções da oposição, de influência extremista islâmica. Embora a zona esteja formalmente ocupada por militares sírios e seus aliados, a Frente al-Nusra anunciou recentemente uma campanha para “libertar” as vilas sob domínio do regime nos Montes Golã. Os habitantes, que são na esmagadora maioria drusos, tendem a apoiar o regime sírio.
O aviso de Israel surge dias depois de um carro armadilhado ter feito, pelo menos, nove mortos em Hader.
Esta tomada de posição israelita vem demonstrar a complexidade das relações entre as diferentes facções e os vários países no conflito sírio.
Embora tenha intervido pontualmente com ataques aéreos na Síria ao longo dos últimos anos, Israel tem-se mantido essencialmente como observador da guerra civil. Oficialmente o estado judaico e o Governo da Síria estão ainda em guerra, e Israel ocupa grande parte dos Montes Golã, que pertenciam à Síria, desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
À inimizade que tradicionalmente existe entre os governos de Síria e de Israel vem juntar-se o facto de Bashar al-Assad contar com o apoio militar do Irão – cujo regime já ameaçou varrer Israel do mapa – e da milícia libanesa Hezbollah, contra a qual Israel travou uma guerra em 2006.
Naturalmente também não existe empatia entre Israel e as milícias islamitas que actuam do lado sírio da fronteira, embora tenha havido diversas acusações de colaboração entre as forças armadas de Israel e estas ao longo dos últimos anos. Certo é que Israel já acudiu a feridos do lado Sírio da fronteira, transportando-os para Israel para serem tratados. Em pelo menos duas ocasiões drusos no estado judaico atacaram essas ambulâncias, matando pelo menos um dos jihadistas que estava a ser transportado. Israel reconhece a assistência médica, que justifica com bases humanitárias, mas diz que as acusações de colaboração militar não têm qualquer fundamento.
Mas a disponibilidade de Israel defender a aldeia de Hader em particular deve-se ao factor religioso. Os drusos praticam uma religião própria e esotérica, com algumas influências islâmicas. São uma comunidade fechada, com fama guerreira, e tendem a ser leais aos regimes dos países em que se encontram. Israel não é excepção e os drusos participam activamente nas forças armadas daquele país, sendo tradicionalmente bem-vistos pelo Governo e pela população como cidadãos leais.
Sendo um grupo étnico tão fechado, os drusos de Israel são parentes dos sírios e tem havido muita pressão por parte da comunidade israelita para defender os seus irmãos em Hader.
O comunicado das Forças Armadas israelitas não deixa dúvidas, aliás, quanto à sua motivação. “As Forças de Defesa de Israel estão preparadas para auxiliar os residentes e evitar os danos ou a captura da aldeia de Hader, por compromisso com a população drusa”, lê-se.
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